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Leía Felípe

Leituras que curam

 

“A leitura ajuda o ser humano a se identificar como um ser divino”. (Léia Felipe)

 

Um dos momentos mais divertidos para Léia quando era criança não acontecia durante o dia, mas à noite, na hora do ‘deita que lá vem a história’, quando o sono chegava de mansinho com as leituras de sua mãe. Bruxas, princesas e toda a turminha da Mônica de Maurício de Souza habitavam seu fantástico mundo noturno. O imaginário dessa menina cresceu forte e sadio, a ponto de torná-la escritora, terapeuta e uma grande incentivadora da leitura por meio de projetos sociais.

Léia nasceu em Ceilândia, DF, tem 37 anos, é idealizadora do projeto Leituras que Curam e agente voluntária do Mala do Livro, Programa Distrital do GDF, criado em 1991 por duas bibliotecárias. A caixa-estante tem capacidade para cerca de 150 exemplares, recebidos da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB). Indo em creches e escolas de São Sebastião, Léia vai semeando o gosto das crianças pela leitura, alfabetizando e contando histórias com sua “mala “de livros a tiracolo.

Como pedagoga e terapeuta integrativa, ela atuava em serviços de convivência até chegar a pandemia. “Infelizmente, saí do trabalho, mas pude me concentrar no meu primeiro livro e dar continuidade ao que aprendi com a técnica do Ho`oponopono”. O livro Ho`oponopono Mágico – As Aventuras de Clarinha abriu novos caminhos para Léia, que participou de várias exposições e ganhou o Prêmio Personalidade Artística Internacional, conferido pela cidade de Évora, em Portugal. Os espaços culturais foram se abrindo e Léia pôde estruturar uma agenda de leituras em escolas e creches de São Sebastião.

 

Histórias que curam

O título pode soar estranho para quem não conhece a palavra Ho`oponopono, que na língua havaiana é definida por: Ho’o = causa; e Ponopono = ajustar, corrigir. É uma técnica simples usada por terapeutas no Brasil e no mundo para diminuir sintomas de ansiedade e depressão. A proposta é assumir responsabilidade, com gratidão e honestidade, por tudo que nos acontece, repetindo quatro frases: sinto muito, me perdoe, te amo e sou grato(a).

O livro conta a história de Clarinha, a menina de mechinha branca no cabelo, causada por vitiligo. Por ser diferente, sofre bullying dos colegas na escola. Quando riem dela, Clarinha se acalma com o Ho`oponopono. “Quis trazer o bullying para falar que precisamos aceitar e conviver bem com as diferenças. A obra do artista tem muito do autor. Seja algo bom ou algo que precisa de cura. Meu livro tem um pouco do que passei na infância, como bullying”. Léia teve contato com o Ho`oponopono em 2018, para enfrentar a depressão depois de um divórcio. “Repetir essas quatro frases deixa a gente no momento presente, trabalha respiração, criatividade, calma e empatia. Tenho certeza de estar no caminho certo porque meus transtornos de ansiedade e estresse diminuíram com essa prática”.

 

O poder de transformar vidas

É possível sentir o quanto Léia acredita no poder da escrita terapêutica ao desenvolver autoconhecimento e exorcizar dificuldades. Um de seus estudos para levar essa descoberta adiante foi sobre a filosofia africana do Ubuntu, que ensina “eu sou porque tu és”. Ela explica como esse jeito de pensar revela que estamos todos interligados: “eu só consigo ser escritora porque eu tenho leitor. Eu só consigo ser professora porque há crianças e adolescentes para aprender”.

Um desafio presente nos projetos sociais e sem fins lucrativos é sempre o dinheiro. “Fazer livros tem um custo e eu tenho muita escrita para publicar”. Outro desafio, para Léia, é a necessidade de entendermos a importância do livro. “As crianças, os adolescentes, nós adultos, todos ficamos tempo demais no celular, no computador, esquecendo do livro, que é indispensável para a criatividade e ludicidade, tanto da criança quanto do adulto”.

 

Alegrias e sonhos

“Uma das minhas metas é ter uma ONG, chamada Inspiração das Artes, para ajudar crianças vítimas de abuso sexual. Aqui em São Sebastião, a gente atende crianças em vulnerabilidade social. Sou voluntária no reforço escolar e recreação, além de lidar com crianças que perderam os pais com a Covid. Elas não sabem sobre luto, morte… e têm que conviver em um normal que não está normal. Isso me impacta muito, sabe? Se Deus quiser e Ele há de querer, eu vou conseguir formalizar algo cultural, artístico e de autoconhecimento para a comunidade”.

Sempre coloco a minha mente na frase do Ubuntu: “eu sou porque tu és”. Acredito que precisamos deixar uma terra boa para as pessoas que virão. Quem for trabalhar com meio ambiente, leitura, educação ou tecnologia, tem que pensar no bem de todos. Afinal, a Terra é de todos nós, não é? ”.

Leituras que Curam

Atividade principal: Escritora, terapeuta integrativa, pedagoga, agente cultural e voluntária do projeto Mala do Livro que promove o incentivo à leitura e a escrita para crianças, adolescentes e adultos como fonte de autoconhecimento. Venda do livro pelo Whatsapp.

Idealizadora: Léia Felípe

Autora do Livro: O Ho’oponopono Mágico. As aventuras de Clarinha

E-mail: leiafelipe.terapeuta@gmail.com